Atletas Destaques
Vladimir Salnikov nadou os 1.500m livre em menos de 15 minutos (14’58”27), transformando-se no primeiro atleta a fazê-lo.
Na ginástica, Aleksandr Dityatin ganhou medalhas em todas as oito provas da modalidade – três de ouro, quatro de prata e uma de bronze. Até hoje é o único atleta a ter alcançado tal feito em Jogos Olímpicos.
A grande decepção dos Jogos para os soviéticos foi Vasily Alekseyev, imbatível no Levantamento de Peso entre 1970 e 78, detentor de duas medalhas de ouro olímpicas e de oito títulos mundiais seguidos. Alekseyev era o grande favorito na prova dos superpesados, mas não teve cabeça para esperar o banquete: na primeira tentativa, colocou peso em excesso e falhou. Foi eliminado.
Nas provas de 5.000m e 10.000m, um único atleta levou as duas medalhas de ouro (repetindo o finlandês Lasse Viren, em Montreal-76): Miruts Yifter, da Etiópia, trazendo os africanos de volta à ribalta nas provas de fundo do Atletismo.
Nas provas de meio-fundo, os britânicos Sebastian Coe e Steve Owett venceram os 800m e os 1.500m respectivamente. Mas atuaram sob a bandeira olímpica, já que a Grã-Bretanha (ao lado de países como França, Itália, Austrália e outros) aderiu ao boicote com ressalvas. Deixou seus atletas liberados para atuarem representando a bandeira do COI-Comitê Olímpico Internacional.
No Salto Triplo, os soviéticos ficaram com a medalha de ouro. Mas, não com o tricampeão olímpico Viktor Saneyev, e sim com Jaak Uudmae, que saltou 17,35m (vide história abaixo, na participação brasileira em Moscou).
O decatleta Daley Thompson conquistou o ouro facilmente. O boicote dos principais países contribuiu para que o britânico não tivesse adversários à altura.
A ilha de Cuba se fez presente através do maior pugilista amador da história: o já “veterano em Olimpíadas” Teófilo Stevenson ganhou a terceira medalha de ouro consecutiva na categoria dos superpesados (Munique-72, Montreal-76 e Moscou-80). Um fenômeno.
Na cerimônia de encerramento dos Jogos de Moscou-80, quando todos esperavam pela tradição olímpica (hasteamento das bandeiras soviética (país-sede), grega (país olímpico) e americana – país-sede da Olimpíada seguinte), houve um desfecho com opção política: em vez da bandeira americana, foi hasteada a bandeira da cidade de Los Angeles; e no lugar do hino americano foi tocado o hino olímpico.
Além disso, uma das cenas mais famosas da história das Olimpíadas foi interpretada como um “recado” soviético aos que participaram do boicote americano: o choro do urso Misha, mascote dos Jogos de Moscou, como se lamentasse a ausência dos competidores.